Alguns Esboços... [Assaigos sociologics de Julio Souto]

Ficha de leitura, realizada na cadeira “Estudos sociais em ciência e tecnologia”, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Ciência normal, paradigma, anomalia, crise e revolução em Kuhn

No livro A estrutura das revoluções científicas, T. Kuhn define o conceito de paradigma como um conjunto de conhecimentos articulados e coherentes, suficientemente aceitos por uma comunidade científica. Neste sentido, poderia-se ilustrar o conceito de “paradigma” com a física newtoniana, como um conjunto de leis, protocols, perspetivas e regras que estruturan o conhecimento do mundo. A maioria dos pardigmas consolidam-se no momento de emergência da ciência moderna (Boyle, Lavoiser, Bacon…), dado que previamente não podiamos apreciar uma visão hegemónica universalmente aceitada por uma comunidade articulada.

A partir do conceito de paradigma, pode-se definir a ciência normal como aquela atividade científica qe evita questionar o paradigma. Kuhn utiliça a metáfora do “quebra-cabeças” para describir esta atividade, pela qual novos conhecimentos integram-se no paradigma estabelecido. Esta atividade normal exerce-se na seleção de problemas a abordar, na integração empírico-teórica, e na articulação da própria teoria. Poderia-se dizer, afinal, que nas mesmas preguntas está implícita a resposta.

Porém, a atividade científica tende a rebasar os límites da “normalidade”, na medida em que novos problemas são registrados como anomalias, en fatos que não podem ser explicados pelo velho paradigma. As pesquisas de Einstein, Heissenberg, Prigogyne e Oppenheimer, poderiam ser consideradas anomalias para a mecánica newtoniana.

É importante assinalar que um só fato inexplicável (uma única anomalia) não invalida automáticamente o paradigma estabelecido. Mas uma constante acumulação de anomalias termina por gerar uma crise. Iste punto é principalmente assinalado pela atitude da comunidade científica respeito ao velho paradigma e os paradigmas emergentes. Ista fase “pre-paradigmática” caracteriza-se por uma intensa atividade hipotético-teórica, na que muitas teorias são formuladas, até que um conjunto de conhecimentos consegue se articular e consolidar como um novo paradigma, aceito pela comunidade científica hegemónica.

A máis importante aportação kuhniana é o conceito de revolução, que propõe que não tuda a atividade científica realiza-se por “acumulação normal”.

KUHN: “As revoluções são mudanças de concepção do mundo”.

Uma revolução científica é básicamente uma troca de paradigma, que se produz tras uma etapa crise provocada pela acumulação de anomalias. Mas, como dixéramos, dentro da atividade da ciência normal, inclõe-se a seleção de problemas que podem ter resposta. Então, por que a comunidade científica encontra anomalias? Ista questão senhala direitamente a criterios exteriores à própria comunidade científica, questionando a imágem da autonomia científica. Da mesma forma, no processo de seleção do novo paradigma, muitas das perspetivas são “tão anormais quanto as outras”, pelo que a atividade da comunidade na selecção e prova de umas e outras está direitamente relacionada com fatores sociais externos à comunidade.

No mesmo conceito de “paradigma” está inscrita a noção de incompatibilidade ou incommensurabilidade, o que quer dizer que é impossível conhecer a realidade (ou “realizar ciência normal”) com dous paradigmas simultáneamente. Afinal, o que temos é uma nova conceção do mundo, uma mudança irreversível na que o trabalho científico é só um dos fatores implicados. É por isto que Kuhn diz que em poucas ocasões a ciência segue uma evolução estritamente “normal”, e são muito frequentes na história das ciências as revoluções, que alteram o nosso modo de perceber a realidade.

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